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domingo, 30 de janeiro de 2011


Sinto-me aliviada, agora.

Alívio motivado pela certeza de que você não me causa mais sofrimento. Alívio porque tenho plena consciência de que você não mais me procurará, e tal consciência, acredite, não me abala. Sei que tanto faz pra você se eu estou com alguém ou não. Não tenho mais esperanças de que você faça qualquer tipo de plano que me inclua. E sei bem que, mais do que nunca, não te terei por perto pra me consolar quando me for preciso.

E foram todas essas certezas que me fizeram crer com maior veemência que você não me causa mais sofrimento algum, me fizeram perceber o quão desimportante você é para minha sobrevivência, me fizeram ver que eu consigo caminhar sozinha, me fizeram enxergar que minha felicidade não depende de você e, o melhor, me fizeram descobrir quanto tempo eu perdi enquanto acreditava em tudo que tu me dizias.

Mas, mesmo assim, é muito difícil ter que me convencer de que me fizestes perder tanto tempo, que não resta mais nada da nossa relação, nada além de vagas lembranças…


É certo que ainda não me adaptei muito bem à ideia de não ter que compartilhar contigo tudo que acontece comigo dia-a-dia, como sempre fiz. Sinto sim a sua falta, mas tal falta não me causa mais dor, porque sei que não te terei mais ao meu lado. Estou me adaptando bem à solidão. Não há mais o que chorar.

Estou serena, pois desvendei a causa de meu sofrimento, esclareci para mim mesma que a esperança que eu tinha de ainda ficarmos juntos era o que aumentava ainda mais a minha dor.


Estou livre!


Sei que, de agora em diante, meus dias serão do jeito que eu desejar. Sei que não me perderei mais em teus sorrisos, teus olhares; pena que fiz todas estas descobertas um pouco tarde. Pois, mesmo assim, você estará tatuado em mim de maneira a deixar grandes marcas, caso eu consiga arrancar-te do meu peito...

Mas, apesar dessa dor, eu consigo estar mais calma, pois agora eu tenho certeza plena de que minha felicidade só depende de mim. A partir de hoje, eu desejo que minha vida seja mais fluida.

Como é bom escrever sobre mim!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


Agora estou de olhos abertos,
E eles não se cerram mais.
E vejo, calada,
Até aquilo que não queria ver.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Não gosto de ver-te sob os carinhos de outra pessoa que não seja eu, mas gosto da dor que isto me causa…

Não gosto de saber que não correspondes aos meus sentimentos por ti, mas gosto da angústia que tal consciência me proporciona…

Algumas pessoas dirão que isto é masoquismo, eu sei. Mas só o fará quem não compreender que o sofrimento que tu me causas é o único resquício teu dentro de mim. E que a intensidade da minha dor é diretamente proporcional ao tamanho da esperança de que disponho de te ter ao meu lado, novamente…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sentimental


O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
Não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar.
De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão
Pra se perder no abismo que é pensar e sentir
Ela é mais sentimental que eu!
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais.
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa.
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.
Rodrigo Amarante



LEITURA ANALÍTICA: Sentimental é para mim a musica mais subjetiva dos hermanos. Essa musica ao meu ver, é de um rapaz se declarando para uma amiga. Era um amor platônico, ele sempre soube que um dia ia falar isso com ela...mas nunca teve coragem, e ele sendo amigo dela, tinha que ficar sempre ouvindo os desabafos dos relacionamentos dela e a aconselhava.
Só que chegou uma hora que ele não agüentou mais e falou tudo que sentia apesar do medo que ele tinha falar. Ela ficou surpresa com o sentimento dele, e não sabia o que fazer. E com isso ela acaba ficando confusa em relação ao que ela realmente pensar e senti a respeito dele, pois ela começa a perceber que pode haver algum sentimento reciproco por ele.
 
Mas ela não expressa a reciprocidade diretamente , deixando pensar que ela não o corresponde. O que o torna mais apaixonado por ela..
                                                                        
E no final,ele desabafa a dor te saber sobre o envolvimento dela com outros, e demonstra que ele não conseguiu perceber que na verdade ela também o ama.
(Análise disponível no Blog "O primeiro depois o último".)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011



"Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras; sou irritável e piro facilmente; também sou muito calma e perdôo logo; não esqueço nunca; mas há poucas coisas de que eu me lembre; sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes; as pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão; gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo; nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrando? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo; se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz; quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz; outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim - a do mundo grande e aberto; apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza...”


Clarice Lispector


Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...


Mário de Sá-Carneiro


Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...


(Bob Marley)